As desculpas que as pessoas usam para faltar ao trabalho e fazer MMN

Inventar uma doença ou problema familiar é uma prática comum no ambiente de trabalho.

Além de faltas propositais, atrasos e demora na entrega de projetos também são práticas de 60% dos funcionários. Essas práticas levam as empresas no Brasil a perderem 12,8 bilhões de reais todos os anos, de acordo com uma pesquisa divulgada essa semana.

O estudo, feito em parceria pela Santo Caos, consultoria de engajamento, e a Pimientos, parceira de comunicação e negócios, entrevistou mais de 900 pessoas em empresas de diversos tamanhos e setores.

Entre as desculpas inventadas, 54,4% já alegaram um problema de saúde física, 38,1% disseram que não conseguiram chegar ao trabalho e 14,6% afirmaram ter um problema de saúde na família ou com o animal de estimação.

Os motivos para as justificativas são diversos: cerca de 29% dos funcionários não queria perder uma data pessoal importante, 28% o fizeram em emendas de feriados e 21% estavam em eventos externos.

A pesquisa deixa claro que não há um perfil único para quem dá desculpas no trabalho – pessoas em todas as faixas etárias e demográficas já usaram algum argumento do gênero. Quem tem de 18 a 33 anos, no entanto, concentra 75% do público que admitiu já ter dado alguma desculpa. Homens também são mais propensos ao hábito, descobriu a pesquisa.

De quem é a culpa?

No entanto, a pesquisa também concluiu que a responsabilidade por essas faltas não é apenas do funcionário. Uma liderança distante e empresa pouco transparente acentuam essa prática.

Isso fica claro quando se considera a qualidade de vida dos respondentes da pesquisa. Quem tem horários flexíveis é 10% menos suscetível a faltar ou atrasar uma entrega do que quem trabalha com um horário fixo.

O mesmo acontece ao analisar o contrato dos funcionários: freelancers e terceirizados são os menos engajados. Os contratados em regime de CLT, por outro lado, são os menos suscetíveis a dar desculpas.

De acordo com a pesquisa, muitos se sentem injustiçados e não reconhecidos pelos seus superiores e pela companhia. Assim, ao faltar ou atrasar, eles estariam equilibrando a relação. Um dos entrevistados afirmou que “eu uso tanto do meu horário fora de expediente para trabalhar que me sinto confortável em dar ‘migués’ durante o dia para fazer coisas pessoais”.

O contrário também é verdadeiro. Quem sente que seu trabalho é importante e reconhecido está menos propenso a inventar histórias para faltar.

Outro fator de insatisfação é a relação com o chefe. Quando a comunicação é ruim ou muito ruim, só 1,7% dos entrevistados afirmou que nunca deu nenhuma desculpa no trabalho. Por outro lado, quando a relação é boa ou muito boa, 82% nunca deram desculpas.

Entre os motivos que poderiam impedir a prática, estão uma remuneração melhor para 20,4% dos entrevistados, horário flexível para 11,3% e maior reconhecimento no trabalho para 11,2%. Outros 10,6% não usariam desculpas se fossem mais motivados pelos superiores e 10,3%, se a carga de trabalho não fosse tão exaustiva.

Empresa transparente

Para impedir que os funcionários deem desculpas, a pesquisa encontrou uma solução simples: implementar uma cultura aberta e transparente. Assim, ao invés de precisar inventar alguma história, o funcionário se sente mais seguro para contar o que realmente está acontecendo em sua vida.

No ano passado, um caso de engajamento e preocupação com o funcionário ficou famoso. Quando uma funcionária da Olark, uma companhia de softwares dos Estados Unidos, pediu dois dias de folga para cuidar de sua saúde mental, seu gerente a agradeceu por falar de um assunto ainda considerado tabu.

“Toda vez que você faz isso eu me lembro da importância que é usar os dias de folga para tratar da saúde mental – não consigo acreditar que isso não seja padrão em todas as empresas. Você é um exemplo para todos nós, ajuda a quebrar o estigma sobre o assunto e levanta o moral da equipe toda”, completou o gerente.

Ele foi elogiado pela sua atitude, ao compreender as necessidades de sua equipe. Se esse comportamento da liderança fosse padrão, não haveria motivo para “dar migués”, diz a pesquisa.

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