Giro Solidário: A velha pirâmide com novo formato se espalha pelo whatsapp

O formato de esquema de captação que, se ainda não chegou, muito em breve estará no seu Whatsapp ou Facebook se chama Giro Solidário.

Com a promessa de um lucro até oito vezes maior que o “investido”, o giro solidário vem fazendo cada dia mais vítimas. O esquema é alvo de uma investigação da Polícia Civil, ainda sob sigilo.

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O Giro Solidário é uma variação de pirâmide financeira no estilo da famosa mandala, que é um crime antigo contra a economia popular.

O esquema surgiu nos Estados Unidos e se espalhou pelo Brasil, principalmente no Norte e Nordeste. Em Minas e São Paulo e atualmente existem investigações em curso.

O Giro Solidário funciona da seguinte forma: é formado um grupo que participa de quatro níveis diferentes, sendo 8 pessoas no primeiro nível, 4 no segundo, 2 no terceiro e 1 no centro.

Quando a pessoa entra, ela deve investir um valor X: R$125, por exemplo. Para o giro acontecer, é necessária a entrada de novos integrantes. Ao chegar ao centro da mandala, a pessoa receberia 8 vezes o valor investido, ou seja, cerca de R$1 mil, por exemplo.

À medida que o grupo aumenta, ele é desmembrado em outros. E depois que a pessoa recebe, ela pode, se quiser, reiniciar outro ciclo.

Como o recebimento depende da adesão de novos membros, o risco de calote é alto. “Geralmente são atraídos os consumidores mais fragilizados, em um momento mais sensível da vida”, segundo a vice-presidente da Comissão de Defesa do Consumidor da Ordem dos Advogados de Minas Gerais, Ana Carolina Caram.

Um homem que pediu para não ser identificado contou que investiu R$125 e recebeu R$1 mil. O problema foi a “indicação” de parentes e amigos para sustentar o esquema: cinco deles, que investiram R$125 cada um, perderam o dinheiro. Ele contou que entrou no grupo a convite da namorada. Ela chegou a receber R$1 mil, mas devolveu parte do dinheiro porque o grupo não se sustentou.

“O grupo fica parado quando as pessoas param de entrar. No ínício dá certo, mas depois não. Tem sempre que entrar alguém para pagar por isso. É uma prática arriscada”, relata.

Ele disse ainda que após retirar o “prêmio”, chegou a entrar em outros dois giros solidários, investindo mais R$125 em cada uma, mas o valor foi perdido. “É difícil, porque a gente às vezes faz o pagamento para uma pessoa que nunca viu e aí não tem como cobrar. No caso de amigos e família, é uma situação complicada. Por enquanto, ninguém me cobrou ainda”, explica.

Como o grupo não tem um administrator oficial, em caso de prejuízo, o maior responsável é quem levou o amigo, vizinho ou parente. É ele quem deve ser acionado na Justiça. Na maioria das vezes, a pessoa não tem o dinheiro de volta.

Normalmente, quando há rescisão de contrato, o contratante tem direito a pelo menos parte do valor aplicado, o que geralmente não é feito nesse caso. Por isso, a orientação é que a pessoa tenha em mãos documentos como depósitos bancários, e-mails, mensagens de whatsapp e gravação de converas.

Um grupo grande, sem nenhum contrato e com a obrigação de conseguir cada vez mais pessoas para pagar uma “cota” pode não se sustentar por muito tempo. Aí entram os prejuízos, a má fé e a não devolução de dinheiro, que pode caracterizar o roubo.

O delegado da Polícia Civil afirma também que, em grandes proporções, quando há envolvimento de empresa, o golpe pode configurar vários crimes, dependendo do que ocorreu. “Quem começa um grande golpe desses está sujeito a ser incluído em investigações de organização criminosa e lavagem de dinheiro.

As penas somadas podem chegar a 30 anos”, explica. Ele alerta que não existe investimento financeiro fora de instituição autorizada pelo Banco Central. “Se a pessoa entrar, ela pode perder tudo. É preciso denunciar”, diz.
As denúncias podem ser feitas aos Ministérios Públicos Estaduais e Polícia Civil.

Um novo esquema de pirâmide financeira vem sendo compartilhado nas redes sociais em Mato Grosso e chamado atenção de muitas pessoas que procuram dinheiro rápido e fácil. O “Giro Solidário” funciona no modelo de “mandala”, que necessita do recrutamento frequente de novos membros em um grupo de Whatsapp. O convite é atraente e assegura que se o participante investir R$125, ele terá R$ 1.000 de retorno.

O delegado regional de Cuiabá, Cley Celestino Batista, orienta que os participantes podem ser condenados em até oito anos de reclusão pelo crime de estelionato.

AJUDA MÚTUA
“A pessoa que for convidada a participar de algum grupo atualmente conhecido também como ajuda mútua, deve pesquisar antes. Seja na internet, com parentes ou até na delegacia. É sempre bom que esses ‘investimentos’ não sejam depositados na conta de um desconhecido”, afirma.

“Muitas das pessoas que aplicam o dinheiro caem no golpe acreditando que terão um retorno rápido. O ‘investimento’ é pouco, e o retorno chega a ser cerca de dez vezes mais. Nestas circunstâncias a pessoa nada mais é que uma vitima de um estelionatário que geralmente recebe o dinheiro dos novos membros”, explica.

Cley ainda ressalta que se a pessoa sabe que está pratica é ilícita e criar esquemas para lucrar, ela poderá ser investigada e caso se confirme a suspeita, ela poderá responder pelo crime de estelionato, sendo condenada em até oito anos de reclusão. “Caso alguém se sinta lesado é necessário que a pessoa vá até uma delegacia registrar queixa para que haja uma investigação”, conclui.

Como funciona:

Um grupo no Whatsapp é criado composto de 15 pessoas. Para entrar no giro, o convidado precisa depositar R$ 125 na conta da pessoal que está no centro da mandala. Na maioria dos grupos, em menos de uma semana, a pessoa deposita e recebe R$ 1 mil.

Então, todos os participantes devem colocar mais membros para que assim, uma por vez vá, cada uma para o centro e então receba o dinheiro que os novos membros irão ‘investir’.

Entretando, o que costuma ocorrer é que para que continue retornando o dinheiro, o recrutamento de pessoas nunca deve acabar. Caso não haja inserção de novos membros, os investidores serão lesados.

O esquema:

giro 1

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